O mercado de seguros de pessoas no Brasil viu um crescimento expressivo em 2025, com prêmios totais de R$ 78,8 bilhões, representando uma alta de 8,3% em relação a 2024. Esse aumento no número de contratos reflete uma crescente preocupação com a proteção financeira por parte dos brasileiros, que buscam se garantir contra riscos como morte, invalidez e doenças graves.
Entretanto, ao mesmo tempo em que o mercado de seguros cresce, os seguros negados continuam a ser um problema recorrente. Muitas vezes, os segurados têm suas reivindicações recusadas por motivos que podem ser questionáveis ou mal explicados pelas seguradoras. A transparência nas coberturas e nas exclusões contratuais é essencial, mas muitas vezes falta clareza nos contratos, levando a negativas de indenização em momentos críticos.
Crescimento nos seguros de vida e o aumento das negativas
Os seguros de vida, que representam 49% dos prêmios totais, continuam a ser os mais procurados no setor. Isso ocorre porque os consumidores estão cada vez mais conscientes da importância de garantir a proteção financeira de suas famílias em caso de falecimento ou invalidez.
Porém, é importante destacar que, em muitos casos, os segurados enfrentam dificuldades quando precisam acionar suas apólices, especialmente em casos de morte por acidente ou doenças graves. As seguradoras muitas vezes recusam o pagamento das indenizações com base em exclusões contratuais mal definidas, como condutas consideradas dolosas ou agravamento do risco. Nesses casos, os consumidores podem se ver em uma situação vulnerável, com a seguradora não cumprindo a sua obrigação de garantir a proteção financeira prometida no contrato.
A importância da transparência e do conhecimento do consumidor
O aumento nas vendas de seguros de pessoas é um reflexo do maior interesse pela proteção financeira, mas também destaca a necessidade de maior transparência por parte das seguradoras. As exclusões e as condições contratuais precisam ser claramente explicadas, para evitar que o consumidor seja pego de surpresa no momento de acionar o seguro.
Alessandra Monteiro, diretora técnica da Bancorbrás, enfatiza a necessidade de uma apólice estruturada e clara, especialmente quando se trata de seguros de vida, que envolvem componentes de alto valor agregado, como baterias e sistemas eletrônicos. A confusão sobre o que é ou não coberto pode resultar em negar a indenização para o segurado, quando ele mais precisa de apoio financeiro.
Além disso, muitas vezes, o processo de negação é demorado e frustrante, e os consumidores podem não saber como proceder para reverter a decisão da seguradora. Isso leva a uma situação de desproteção, onde o segurado pode não conseguir o que contratou, mesmo estando de acordo com as condições contratuais.
O crescimento das indenizações e a resposta do mercado
O relatório da Fenaprevi também revela que, em 2025, as indenizações pagas para os beneficiários somaram R$ 17,5 bilhões, o que representou um aumento de 9,3% em relação ao ano anterior. Isso indica que, apesar das dificuldades enfrentadas pelos consumidores, as seguradoras estão cumprindo suas obrigações em muitos casos.
Entretanto, a cobertura insuficiente ou recusa indevida de sinistros ainda continua sendo uma preocupação. Como vimos em casos recorrentes no mercado, a recusa de cobertura pode ser aplicada indevidamente, ou o processo de resolução pode ser excessivamente burocrático e lento, causando sofrimento e insegurança financeira para as famílias dos segurados.
O papel do consumidor e dos corretores de seguros
O aumento da demanda por seguros de vida e saúde demonstra a importância de estar protegido, mas também traz à tona o papel crucial do corretor de seguros. Corretores de seguros têm a responsabilidade de orientar corretamente os segurados sobre os detalhes das apólices, explicando as exclusões e os direitos de cobertura. O corretor deve garantir que o segurado compreenda todos os aspectos do contrato, para evitar surpresas e frustrações no futuro.
Porém, caso o segurado enfrente negativa de cobertura ou tenha problemas para receber sua indenização, é importante que ele saiba que tem o direito de contestar a decisão da seguradora. O Código de Defesa do Consumidor e a supervisão da SUSEP oferecem respaldo legal para garantir que o consumidor tenha acesso à proteção contratual e seja amparado no momento da reclamação ou do litígio.
Conclusão
O crescimento de 8,3% no mercado de seguros de pessoas em 2025 reflete uma busca crescente por proteção financeira no Brasil, com o aumento das vendas de seguros de vida e doenças graves. Contudo, as negativas de indenizações continuam a ser um problema recorrente, com consumidores enfrentando dificuldades para acessar os benefícios contratados.
A transparência e a clareza nas apólices são essenciais para que o segurado tenha a proteção prometida. Ao mesmo tempo, é necessário que o consumidor se eduque sobre seus direitos e busque a ajuda de corretores de seguros para garantir que suas apólices estejam adequadas às suas necessidades e que ele saiba como agir caso enfrente a negativa da seguradora.
Assim, embora o crescimento no setor de seguros de pessoas seja um sinal positivo, a qualidade no atendimento e o respeito às cláusulas contratuais devem ser garantidos, assegurando o direito do consumidor de ser amparado em momentos de necessidade.




