As indenizações pagas pelo seguro de carga em Minas Gerais tiveram um salto impressionante em 2025: entre janeiro e outubro, o valor chegou a R$ 17,8 milhões, o que representa uma alta de 452,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg). Esse aumento fica muito acima da média nacional, que registrou alta de 111,1% no mesmo intervalo.
Esse crescimento está diretamente ligado ao aumento das exportações do estado em 2025, que movimentou recorde de US$ 37,3 bilhões em vendas ao exterior, elevando a circulação de mercadorias e, consequentemente, a exposição a riscos logísticos.
Mas o que isso quer dizer para o setor de seguros e, especialmente, para quem contrata esse tipo de proteção? Vamos analisar o tema com foco não apenas nos números, mas também nas situações que podem levar a negativas ou problemas na cobertura.
Por que o seguro de carga tem tido mais sinistros
O seguro de carga protege mercadorias durante o transporte, seja por navio, caminhão, avião ou trem, contra eventos como:
✔ acidentes
✔ extravio
✔ roubo
✔ danos físicos à mercadoria
O crescimento das exportações de Minas Gerais significa mais cargas circulando por corredores logísticos, sobretudo rodovias que conectam o estado aos portos do Sudeste, aumentando a demanda pelo transporte de bens valiosos. Quanto mais rotas e mais valor agregado nas mercadorias, maior a probabilidade de ocorrerem sinistros.
Segundo especialistas, esse aumento de exposição pressiona tanto as empresas quanto as seguradoras a revisarem estratégias de prevenção, rastreamento e segurança.
Riscos que impactam diretamente a cobrança do seguro ou a indenização
O crescimento das indenizações indica tanto a intensidade dos riscos quanto a importância de uma cobertura bem estruturada. Alguns dos principais problemas que podem levar a negativas ou disputas contratuais incluem:
- Informações incorretas sobre a carga ou rota: Se a seguradora entender que houve exagero ou omissão de dados relevantes no momento da contratação (como elevados valores declarados sem base documental), ela pode tentar reduzir a indenização ou negar o sinistro.
- Não conformidade com exigências de rastreamento e segurança
Muitos contratos exigem o uso de tecnologias de rastreamento, escolta em determinados trechos ou padrões de armazenamento. A falha em cumprir esses requisitos pode ser utilizada como argumento para negar cobertura. - Alegação de agravamento de risco não comunicado
Se o embarcador ou transportador altera rotas, métodos de transporte ou características da carga e não comunica à seguradora, esta pode questionar o pagamento. Para negar, no entanto, precisa comprovar que o agravamento foi relevante e efetivamente relacionado ao sinistro. - Falta de documentação adequada após o sinistro
A ausência de provas completas sobre o evento (como notas fiscais, boletins de ocorrência, laudos de perda ou dano) pode ser usada como motivo para a seguradora questionar a cobertura. Aqui, atenção à diferença entre exigência legítima e travas burocráticas indevidas é essencial.
O que esse aumento de indenizações revela
O crescimento das indenizações por seguro de carga em Minas Gerais indica dois pontos principais:
✔ Maior circulação de mercadorias de alto valor agregado, abrindo espaço para maiores sinistros.
✔ Importância crescente de mecanismos de prevenção e gestão de risco, tanto para transportadoras quanto para seguradoras.
Do ponto de vista contratual, essa elevação de pagamentos cria uma sensação de urgência para rever apólices, tanto em termos de cobertura quanto em termos de condições e limitações, garantindo que o seguro esteja alinhado com a realidade operacional das cadeias logísticas.
O que transportadores e segurados precisam considerar
Para evitar disputas ou negativas de cobertura, empresas e segurados devem:
✔ Revisar criteriosamente as condições gerais e cláusulas de exclusão;
✔ Garantir que todas as informações declaradas no momento da contratação são verdadeiras e completas;
✔ Cumprir requisitos de rastreamento e segurança exigidos na apólice;
✔ Documentar detalhadamente qualquer sinistro, com provas robustas;
✔ Consultar um especialista em seguros de transporte em caso de dúvidas ou negativas injustificadas.
Conclusão
O salto de 452,7% nas indenizações de seguro de carga em Minas Gerais reflete não apenas o dinamismo econômico do estado, com volume recorde de exportações, mas também a complexidade e os riscos envolvidos no transporte de mercadorias.
Esse cenário reforça a importância de contratar seguros adequados, e, principalmente, de entender claramente as responsabilidades, exigências e limites de cada apólice. Em muitos casos, seguros negados ou indeferidos podem ser resultado de falhas de comunicação, documentação ou cumprimento de requisitos, e não apenas de sinistros em si.
Para transportadores, embarcadores e empresas envolvidas no processo logístico, estar bem assessorado e bem informado é a melhor forma de transformar a proteção securitária em verdadeira ferramenta de mitigação de riscos e não em motivo de prejuízo adicional.





