As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira no final de fevereiro de 2026 resultaram em um dos maiores desastres naturais da década no Brasil. De acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), estima-se que o valor das indenizações de seguros de veículos afetados pelas chuvas na região ultrapasse R$ 40 milhões. As cidades mais atingidas, Ubá e Juiz de Fora, registraram mais de 700 ocorrências de danos com veículos, com perdas totais em vários casos, muitas das quais resultaram em veículos submersos devido à força das águas.
O impacto das chuvas nas cidades de Ubá e Juiz de Fora
O impacto das chuvas foi devastador, com mais de 72 mortes confirmadas até a primeira quinzena de março e o desastre sendo classificado como o quarto maior do Brasil na última década, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Nos dias após o ocorrido, veículos foram retirados de rios e córregos, e muitos deles apresentaram perda total, como o caso de Gláucio Reskalla, um empresário de Ubá. Ele relatou que, embora o veículo parecesse intacto por fora, a água chegou à altura do volante, danificando o motor e fazendo com que o carro fosse considerado irreparável. Felizmente, o proprietário teve a indenização paga rapidamente e pôde adquirir outro veículo ou destinar o valor da indenização conforme sua necessidade.
Alta demanda por seguros após o desastre
O corretor de seguros Willian Rogel Andrade, de Ubá, comentou que a demanda por seguros aumentou drasticamente na cidade após o desastre. “Os clientes estão recebendo indenizações em dois a três dias. As seguradoras entenderam a gravidade da situação, enviaram suas equipes de sinistros para a região e estão pagando as indenizações em tempo recorde”, relatou Andrade.
No entanto, nem todos os veículos afetados receberam a cobertura esperada. Isso porque nem todas as apólices incluem cobertura para fenômenos da natureza, como enchentes e alagamentos. Esse tipo de cobertura está presente nos seguros compreensivos, conhecidos como seguros completos, que abrangem colisões, incêndios, roubos, furtos e danos causados por desastres naturais.
O papel dos seguros e a diferença de coberturas
Segundo Jaime Soares, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais, apenas os seguros compreensivos garantem cobertura para danos causados por fenômenos naturais, como enchentes. “Se o veículo sofrer danos graves ou perda total por submersão, a indenização poderá ocorrer conforme as regras previstas na apólice, seja pelo valor de mercado ou pelo valor contratado“, explicou Soares.
Por outro lado, seguros mais simples, como os que cobrem apenas roubo e furto, não cobrem danos causados por fenômenos da natureza. Nesses casos, os motoristas que enfrentaram danos devido às chuvas e alagamentos podem ficar sem a indenização do seguro, dependendo do tipo de apólice contratada.
Como evitar surpresas com a cobertura de enchentes
Esse cenário ressalta a importância de verificar as condições da apólice de seguro de carro antes que eventos como chuvas fortes e enchentes ocorram. Para quem reside ou trabalha em áreas propensas a desastres naturais, a recomendação é optar por um seguro compreensivo, que garante a proteção contra fenômenos da natureza. É importante também confirmar a franquia e as exclusões da apólice para garantir que o seguro cubra danos causados por alagamentos.
O papel das seguradoras e o mercado de seguros no Brasil
O aumento das indenizações decorrentes de danos causados por eventos climáticos também destaca o crescente desafio para o mercado de seguros no Brasil. A alta demanda por cobertura contra fenômenos naturais exige que as seguradoras se adaptem, oferecendo serviços rápidos e eficientes para atender a população de forma ágil e eficaz.
No caso da Zona da Mata mineira, as indenizações de até R$ 40 milhões refletem a gravidade do ocorrido e a resposta eficiente das seguradoras, que estão cumprindo com suas obrigações e garantindo a proteção dos segurados que foram atingidos. Além disso, o aumento da procura por seguros e a agilidade nas indenizações revelam que os consumidores estão mais atentos à proteção financeira e ao cuidado com seus bens, especialmente quando eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes.
Conclusão
O desastre provocado pelas chuvas em Ubá e Juiz de Fora é um exemplo claro de como os seguros de veículos podem ser fundamentais em momentos de crise. A diferença entre ter um seguro compreensivo e um seguro mais básico pode significar a possibilidade de recuperação financeira para o motorista ou a impossibilidade de reembolso.
Embora a tragédia tenha sido devastadora para a região da Zona da Mata mineira, ela também traz à tona a importância de um seguro adequado e da verificação constante das apólices. Para quem sofreu danos em seus veículos, a indenização rápida e eficiente pode ser a chave para a recuperação financeira, enquanto aqueles que não possuem a cobertura adequada devem buscar entender como as seguradoras podem ajudar em casos de seguros negados ou exclusões.





