O mercado brasileiro de veículos elétricos e híbridos começou 2026 em forte expansão. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram 23.706 veículos leves eletrificados emplacados em janeiro, um crescimento expressivo de 88% em relação ao mesmo mês de 2025.
Com esse avanço, os modelos eletrificados passaram a representar 15% de todos os automóveis leves vendidos no país, consolidando uma mudança estrutural no setor automotivo. Esse movimento também impacta diretamente o mercado de seguros, que precisa se adaptar a uma nova realidade técnica e operacional.
O crescimento dos plug-ins e elétricos puros
O avanço é puxado principalmente pelos:
- BEV (Battery Electric Vehicles) – veículos 100% elétricos
- PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicles) – híbridos com recarga externa
Juntos, esses modelos já respondem por cerca de 10% do total do mercado de veículos leves.
Essa consolidação deixa claro que os eletrificados deixaram de ser nicho e passaram a integrar de forma relevante a frota nacional.
Seguro tradicional não é suficiente
Embora os veículos eletrificados mantenham coberturas tradicionais, como proteção contra:
- colisão
- roubo e furto
- incêndio
- eventos climáticos
eles exigem garantias adicionais específicas, devido à complexidade tecnológica envolvida.
Entre as coberturas mais demandadas estão:
- proteção para cabos e equipamentos de recarga
- assistência em caso de pane elétrica
- remoção até ponto de carregamento
- atendimento em oficinas especializadas para baterias e sistemas de alta voltagem
A diretora técnica da Bancorbrás, Alessandra Monteiro, destaca que esses veículos possuem componentes de alto valor agregado, especialmente baterias e sistemas eletrônicos. Um sinistro mal coberto pode gerar prejuízos significativos ao proprietário.
O risco de negativa em sinistros de veículos elétricos
Com a expansão da frota eletrificada, surgem também novos conflitos securitários. Na prática, temos observado situações como:
- negativa de cobertura sob alegação de “desgaste natural” da bateria
- discussão sobre cobertura de cabos externos de recarga
- recusa de guincho por falta de infraestrutura adequada
- divergência sobre reparo em oficinas credenciadas
Muitos segurados descobrem apenas no momento do sinistro que sua apólice não contempla adequadamente as especificidades do veículo elétrico.
Isso reforça um ponto essencial: a apólice precisa ser estruturada de forma compatível com a tecnologia do veículo.
Crescimento do seguro auto acompanha a tendência
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam que o seguro auto registrou crescimento nominal de 6,39% entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Com a valorização média dos veículos eletrificados, que costumam ter custo superior aos modelos convencionais, o impacto no valor do prêmio e no perfil de risco também se altera.
Além disso, a bateria, que pode representar parte significativa do valor do veículo, torna o cálculo atuarial mais complexo e exige maior precisão contratual.
O que o proprietário de veículo elétrico deve observar na apólice
Para evitar surpresas, é fundamental verificar:
✔ Se há cobertura específica para bateria
✔ Se cabos e carregadores estão expressamente incluídos
✔ Se há assistência para pane elétrica
✔ Se a remoção contempla transporte até ponto de recarga
✔ Se há rede credenciada apta a lidar com alta voltagem
Em muitos casos, a falta de detalhamento gera conflito na hora da indenização.
A importância da clareza contratual
Com a evolução tecnológica da frota, cresce também a necessidade de contratos mais transparentes e técnicos. O consumidor não pode ser surpreendido com exclusões genéricas ou cláusulas ambíguas quando ocorrer um sinistro.
O seguro deve acompanhar a evolução do veículo. E, caso haja negativa indevida, o segurado tem o direito de exigir:
- fundamentação clara e por escrito
- comprovação técnica da exclusão invocada
- respeito às normas da Susep e ao Código de Defesa do Consumidor
Conclusão
O crescimento de 88% nas vendas de eletrificados mostra que o Brasil está passando por uma transformação relevante na mobilidade.
Essa mudança exige que o seguro auto evolua junto, não apenas no preço, mas na estrutura técnica das coberturas.
Para quem investe em um veículo elétrico ou híbrido, a contratação de um seguro adequado não é apenas uma formalidade: é uma proteção estratégica contra riscos tecnológicos e financeiros cada vez mais complexos.
E, em caso de negativa abusiva, o segurado não está desamparado, o contrato deve ser cumprido nos exatos termos da proteção prometida.





